Texto: Não goste do amor...
Não goste do amor,
goste de alguém que te ame, alguém que te espere,
alguém que te compreenda mesmo nos momentos de
loucura; de alguém que te ajude, que te guie, que seja
seu apoio, tua esperança, teu tudo.
Goste de alguém que não te traia, que seja fiel, que
sonhe contigo, que só pense em você, que só pense no
teu rosto, na tua delicadeza, no teu espírito e não no
teu corpo nem nos teus bens. .
Goste de alguém que te espere ate o final, de alguém
que seja o que você escolher.
Goste de alguém que sofra junto contigo, que ria junto
a ti, que limpe tuas lágrimas, que te abrigue quando
necessário, que fique feliz com tuas alegrias e que te
de forças depois de um fracasso.
Goste de alguém que volte pra conversar com você
depois das brigas, despois do desencontro, de alguém
que caminhe junto a ti, que seja companheiro, que
respeite tuas fantasias, tuas ilusões. Goste de alguém
que te ame. Não goste apenas do AMOR, goste de alguém
que sinta o mesmo sentimento por você, que goste
realmente de você. .
UMA FRASE:
"Você precisa só de um minuto para reparar em
alguém, uma hora para gostar, um dia para querer, mas
se precisa de uma vida inteira para conseguir
esquecer"
Texto - Rita Lee: Mulheres
"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor.
Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que
usava tranças.
Levei apenas uma hora para saber o motivo.
Bete fora acusada de não ser mais virgem, e os dois irmãos a
subjugavam em
cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da
família lhe
enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha
ou não o selo
da honra.
Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete
nunca mais foi a
mesma, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o
Piaui, ninguém
sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar,
saltando o muro
alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado.
Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no
exame
ginecológico.
O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados", e
os pais
internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se
esquecer do
mundo.
Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me
fizeram
perguntar que poder é esse que a família e os homens têm
sobre o corpo das
mulheres.
Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar.
Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos.
Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas
cirurgias
plásticas.
Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da
peitaria
robusta das norte-americanas.
Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas
e sensuais,
garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado
do dorso para
se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante
dos homens.
E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras
mulheres - as
baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda
de auto-estima.
Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes
universitários
(56%) é composta de moças.
, na pesquisa científica, na política, no jornalismo.
E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a
defender a teoria de
que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da
barbárie
mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade.
Até porque elas são desarmadas pela própria natureza.
Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do
estupro, tão bem
representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e
punhais.
Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.
Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico,
como fazem com
os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que
derramá-lo na
menstruação ou no parto.
Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues
urbanas, porque
lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na
marginalidade, na
insegurança e na violência.
É preciso voltar os olhos para a população feminina como a
grande
articuladora da paz. E, para começar, queremos pregar o
respeito ao corpo
da mulher.
Respeito às suas pernas que têm varizes, porque carregam
latas d'água e
trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza, porque
amamentaram seus
filhos ao longo dos anos.
Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o
País nas
costas.
São as mulheres que imporão um adeus às armas, quando forem
ouvidas e
valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas
mentes e a doçura
de seus corações.
"Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda.
E meu peito não é de silicone; mas, sou mais macho que muito
homem".
Rita Lee